De coadjuvante a protagonista: Alysson Bestene desponta como uma das surpresas da política acreana em 2026
Após assumir a Prefeitura de Rio Branco com a saída de Tião Bocalom, gestor imprime estilo próprio, intensifica presença nos bairros e resgata características de uma administração próxima da população, lembrando o período de Marcus Alexandre.
Passadas as eleições de 2026, o cenário político acreano começa a revelar personagens que, mesmo sem disputar diretamente as urnas neste ano, saem fortalecidos do processo eleitoral. Entre eles está o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP), que assumiu o comando da capital após a renúncia de Tião Bocalom para disputar o Governo do Acre e, em poucos meses, conseguiu transformar uma sucessão administrativa em uma oportunidade de construir sua própria identidade política.
Quando recebeu a Prefeitura, em 4 de abril, a expectativa era de que Bestene apenas desse continuidade ao trabalho do antecessor. Entretanto, o novo prefeito passou a adotar uma postura mais presente nas comunidades, acompanhando pessoalmente serviços públicos, visitando bairros e estabelecendo contato direto com moradores. O estilo chama atenção por lembrar uma característica marcante da gestão do ex-prefeito Marcus Alexandre: a presença frequente do chefe do Executivo nas ruas, acompanhando os problemas cotidianos da cidade.
A mudança de postura não passou despercebida pela imprensa local. Em junho, o portal Notícias da Hora destacou a agenda intensa de Bestene e sua atuação voltada aos serviços básicos. Já o jornal A Tribuna do Acre, ainda em abril, chamou atenção para a visita do prefeito à Baixada da Sobral, após fortes chuvas, destacando sua aproximação com os moradores das áreas atingidas. São registros que ajudam a explicar por que um gestor inicialmente visto como sucessor político de Bocalom começou a conquistar maior visibilidade individual.
Das visitas aos bairros aos resultados da gestão
Um dos principais instrumentos dessa nova dinâmica administrativa é o programa Prefeitura nas Ruas, que reúne diferentes secretarias municipais em ações de infraestrutura, limpeza, drenagem e manutenção urbana. Segundo balanço divulgado pela Prefeitura, entre abril e agosto foram registradas intervenções em 518 ruas e vias de 96 bairros da capital, totalizando 858 serviços de manutenção. Os dados são da administração municipal e representam ações contabilizadas, não necessariamente a solução definitiva dos problemas dessas localidades.
A mobilidade urbana também ganhou destaque nos primeiros seis meses de governo. A incorporação de 120 ônibus ao transporte coletivo, sendo 80 novos e 40 seminovos, tornou-se uma das entregas mais visíveis do período. Outro indicador relevante foi a pesquisa do Instituto Delta, divulgada no início de outubro, segundo a qual 51,45% dos entrevistados aprovavam a gestão de Bestene. Embora o resultado não represente uma aprovação incontestável, demonstra que o prefeito conseguiu estabelecer uma base de avaliação positiva em seus primeiros meses à frente do Executivo.
Um estilo que remete à gestão de Marcus Alexandre
A comparação com Marcus Alexandre, que administrou Rio Branco entre 2013 e 2018, surge principalmente pela maneira de conduzir a relação entre Prefeitura e população. Mais do que inaugurar obras ou anunciar investimentos, ambos passaram a associar suas imagens políticas à presença física nos bairros e ao acompanhamento das demandas comunitárias.
Isso não significa que as duas administrações sejam equivalentes em resultados ou que Bestene tenha superado seus antecessores. O que se observa é uma semelhança de estilo, especialmente na valorização do contato direto com o cidadão, algo que pode produzir efeitos importantes na percepção pública sobre a administração municipal.
O desafio de deixar de ser o prefeito de Bocalom
Politicamente, talvez esteja aí a maior transformação de Alysson Bestene. Eleito vice-prefeito na chapa de Bocalom em 2024, o gestor chegou ao cargo com o compromisso de manter o projeto administrativo existente. Contudo, ao assumir protagonismo nas agendas municipais, começou a demonstrar que a continuidade de um governo não impede o desenvolvimento de uma liderança própria.
A movimentação eleitoral também evidenciou sua capacidade de articulação. Após apoiar a candidatura de Bocalom no primeiro turno, Bestene declarou apoio a Mailza Assis na disputa decisiva pelo Governo do Acre, acompanhando o posicionamento de seu partido. A decisão colocou o prefeito em uma posição relevante no rearranjo das forças políticas estaduais e pode influenciar sua relação institucional com o governo eleito.
Portanto, a consolidação desse novo protagonismo dependerá de resultados duradouros. Rio Branco ainda enfrenta problemas históricos de pavimentação, saneamento, abastecimento de água e mobilidade. A presença constante do prefeito nas ruas pode representar uma mudança importante na maneira de governar, mas a população continuará cobrando soluções efetivas, principalmente nas regiões periféricas.
Se as eleições de 2026 produziram vencedores e derrotados nas urnas, também revelaram nomes que ganharam força fora delas. Alysson Bestene desponta como um desses personagens. A saída de Tião Bocalom abriu as portas da Prefeitura; agora, cabe ao atual gestor demonstrar que sua ascensão política não será apenas uma consequência da oportunidade, mas o resultado de uma administração capaz de deixar sua própria marca na história de Rio Branco.
Nota editorial: O texto foi elaborado como análise política para o Nosso Acre, com redação original e fundamentação em notícias locais. A comparação com Marcus Alexandre é uma interpretação jornalística sobre o estilo de gestão, e não uma conclusão baseada em pesquisa comparativa entre os mandatos.



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